A decadência da Escolástica no fim da Idade Média
A decadência da Escolástica no fim da Idade Média
Os séculos XIV e XV foram marcados por profundos infortúnios, agudizando-se as mutações das estruturas econômicas e sociais do Ocidente.
O processo de aristocrarização e senhorialização das universidades deu tônica da decadência do ensino. Desenvolveu-se a tendência de se escolher os universitários hereditariamente. As universidades se tornaram poderes intimamente ligados ao temporal. Perderam seu caráter universal, assumiram o caráter cada vez mais nacional ou regional, tornaram-se potências políticas e logo se integraram nas novas estruturas monárquicas do Estado. Mas, os universitários estavam destinados ao revés em suas pretensões políticas. A universidade se defendia mal, vítima das dificuldades econômicas, da contração do ser recrutamento e da passividade dos mestres, cada vez menos apegados a sua faculdade.
A essa evolução social das universidades corresponde uma evolução paralela da escolástica. Desenvolvia-se o pensamento de algumas correntes: crítica e cética (Scotus, Ockham), o experimentalismo científico ou empirismo (Autrecourt, Buridan), o retorno do averroísmo. O antiintelectualismo que se nutria do misticismo (Eckhart, Alighieri).
Separação entre a razão e a fé. Scotus: a liberdade divina escapa à razão humana. Ockham: distinção de conhecimento abstrato e intuitivo.
Teoria da essência. Tomismo: as essências constituíam universais que tornavam inteligíveis os seres particulares. Scotus: as essências são também particulares ou estidade. Ockham: os universais não têm realidade ontológica, são apenas palavras "nominalismo".
Misticismo de Ekchart: o homem nobre, pobre e livre. Deus é o ser porque é Uno, a criatura é nulidade, mas tem o intelecto divino.
Retorno ao averroísmo. O averroísmo foi essencialmente conservador. A verdade estava ou ao lado da razão ou ao lado da fé. Contestação hierocrática.
O tomismo assumiu uma conotação nitidamente política e direcionado para o combate da doutrina papal da plenitude do poder. João Quidort tinha uma visão antihierocrática, admitia a existência de uma só beatitude: a felicidade espiritual. Dante foi sucessor direto de Tomás e concebia duas beatitudes obtidas pela filosofia e a teologia. A perfeição temporal era um requisito para a perfeição eterna. Marsílio de Pádua compus um tratado anticlerical, construiu uma teoria de civitas independentemente da teologia. A lex também é de origem humana, fundamentada no consenso geral dos cidadãos. Submete de uma forma absoluta o domínio espiritual ao poder político.
A escolástica foi cedendo lugar a um retorno à santa ignorância. Não é absolutamente verdade que o humanismo suplantou a escolástica de uma hora para outra. Contrastavam entre si os escotistas (criticismo verbal e voluntarismo divino), os tomistas e o nominalismo (racionalizante). Foi sobretudo essa escolástica depravada e moribunda que os humanistas rejeitaram. Todavia, embora a Renascença viesse alimentar o progresso humano, ela foi, num primeiro momento, um recuo face ao desenvolvimento urbano e racional que marcou o saber escolástico. Foi uma das épocas menos dotadas de espírito crítico que o mundo já conheceu, a destruição da síntese aristotélica. Viu-se sem física e ontologia, resultando numa credulidade sem limites.
Referência
ROMANAZZI, Moisés Tórres. A decadência da Escolástica no fim da Idade Média. Disponível em: www.periodicos.ufes.br. Acesso em: 03.11.2017.
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