METAFÍSICA COMO PROCESSO DE EXPLICITAÇÃO DO SER E SUA MANIFESTAÇÃO: UMA SÍNTESE DE ANICETO MOLINARIO
METAFÍSICA COMO PROCESSO DE EXPLICITAÇÃO DO SER E SUA MANIFESTAÇÃO: UMA SÍNTESE DE ANICETO MOLINARIO
INTRODUÇÃO
No livro "Curso sistemático de Metafísica" de Aniceto Molinaro, apresenta-se que a "“Metafísica é a exposição do processo de explicitação do Ser e de sua Manifestação” (p. 69). Então, tenta-se seguir fiel à definição expondo um itinerário próprio.
A SISTEMATICIDADE DA METAFÍSICA
O objeto material da metafísica é a integralidade da experiência, a dadidade imediata. O seu objeto formal é o ente enquanto é. O pensamento é a manifestação do ser e o ser é o que se manifesta na manifestação do pensamento. O ente é aquilo cujo ato é ser. Ser é ato total.
Essência: conexão entre ente e ser. (Ente. Ser. Essência). Essência (quididade): diversidade. Cada ente tem um ser de acordo a sua espécie (essência). Substância: aquilo que é. Forma: aquele que é. Ser como ato: ato de ser próprio.
A ideia de ser é indefinível porque o pensamento do ser exclui todas as determinações, como acréscimo. Significado da ideia de ser é o ser, toda a realidade e implica todos os entes: como substância da totalidade, formalmente e natural.
Trascendentalidade: Extensão, noção unificadora. A unidade do ser é unidade da diversidade e na diversidade (semelhança e comunhão). Intranscendentalidade (nada está fora dele). Plano horizontal absoluto, extensão ilimitada, incondicionalidade, absoluto e totalidade.
A concepção judicativa do ser. Sua manifestação é o juízo. A reciprocidade sustenta o juízo metafísico. Implicância: a determinação é ser e o ser é também determinação. Explicitação é ser em determinação.
A estrutura metafísica tomista: Ipsum esse substistens: Deus. Esse comune: ser transcendental. Esse simpliciter: ser absoluto. (Ente, ser, Deus). O ente depende do ser trascendental que por sua vez dependem de Deus. A atualidade pura e absoluta do ser: é plenitude supraessencial. Ente: ser determinado na sua essência. Os entes são entes pela participação do ser. Diferença metafísica entre ser e ente: não subsistência (ser). O ser da coisa criada é inerente. O ente propriamente subsiste, é sujeito do ser (ente). O ente é síntese entre o ato de ser e a determinação. O ente por essência é identidade.
O PROCESSO DE EXPLICITAÇÃO DO SER
O SER pode ser entendido como ser enquanto tal, esta concepção corresponde ao plano de explicitação transcendental ou ontológica. Este plano pode suceder a ser considerado em si em duas expressões: afirmativa e negativa, da qual procede a unidade. Ademais, o ser pode ser considerado em conexão de duas formas: expressão negativa, divisão, e expressão positiva, conformidade. Nesta última aparece o espírito do qual procederam a verdade e a bondade.
A determinação, essência ou participação é no interior do ser, o ente. Isto se dá no plano de explicitação categorial (determinada) e dela procede a substância (o ente por si) e o acidente (o ente em outro ente).
Os transcendentais se estendem quanto e como se estende o ser: a realidade do Ser é a sua realidade. Ao mesmo tempo, exprimem e explicitam o ser enquanto tal sobre outra formalidade: São momentos manifestativos.“Idênticos e distintos, eles são conversíveis com o próprio Ser”(p.74).
UNIDADE, BONDADE E VERDADE DO SER
Plano derivado (categorial) e próprio (transcendental) dos transcendentais são unidade, bondade e verdade.
A unidade é indivisibilidade. Não são absolutas a multiplicidade e a divisibilidade do ser, mas, particular enquanto determinação. No sentido metafísico: negação da negação. No sentido matemático: quantidade.
A verdade e a bondade: premissa crítica sobre a sistemática tomista. O Ser como inteleção é a autoconsciência que gera a Verdade. O ser como volição é auto possessão e produz a Bondade.
A verdade: o ser como inteleção. Considera-se que a inteligência é o próprio ser na sua manifestação. Só são possíveis o erro e a falsidade de forma particular. O ser como racionalidade, razão de si e de tudo o que há.
A bondade: o ser como volição. O ser é totalmente bondade; o ente, bom. O ente é bom enquanto tem vontade (volibilidade). Todo mal é contradição ao ser do ente. Mal (metafísico, físico e moral).
A beleza: o ser como harmonia da unidade, da verdade e da bondade do ser. É uma explicitação do ser e possui recíproca convertibilidade transcendental. A compõe três elementos: integridade, proporção e claridade. Também pode ser entendida como sentimento e como objeto.
OS PRINCIPIOS ESTRUTURAIS DO SER
São uma explicitação ulterior do ser. Exprime a logicidade ou lei. Princípios que são o próprio ser. A lei da não contradição unifica os princípios do Ser. Significado do princípio: aquilo do qual uma coisa deriva (fundamento) e é o primeiro em absoluto (fundado). É princípio enquanto dá prinicipado. Nexo interno (fundação).
Princípio ontológico (ser) o pelo qual é o próprio ser: plano transcendental. Não contradição.
Ôntico (devir): plano ôntico, teoria das quatro causas (causa = dependência) toda causa é princípio, mas não todo princípio é causa (primariedade- causa primeira).
Gnosiológico (cognoscível): retorno ao fundamento, sentido. Transcendental.
As explicitações do ser no plano transcendental são: a identidade: o Ser é o Ser e não pode não ser, unidade.
Princípio da não contradição: incontraditoriedade, impossibilidade. Positividade absoluta, metafísica. O Ser é tal que não pode não ser. Impossibilidade de que um sujeito aceite duas opiniões contraditórias como verdade. Realidade, pensamento e linguagem.
A razão suficiente: a racionalidade de ser, autossuficiência. O terceiro excluído: não há meio termo entre o ser e o não ser; a incontraditoriedade do ser exclui toda mediação. E a impossibilidade de progresso ou regresso ao infinito, isto é um corolário.
Ente: os mesmos princípios são aplicados ao ente. O ente e racional em si, mas é dependente.
O ser: ontologia, o pensamento (apreensão do ser): gnosiologia e a linguagem.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nos capítulos 2 ao 5, apresenta-se a sistematicidade da metafísica e o Ser: processo de explicitação; unidade, bondade e verdade, e os princípios estruturais.
Tem-se considerado o objeto material e formal, e o pensamento como manifestação do ser.
A diferenciação entre ser (Deus e transcendental) e ente (substância, ser como ato e essência). A indefinibilidade, o significado e a transcendentalidade da ideia de ser. Ser e determinação, participação como essência do ente e Deus como ser cuja essência é o absoluto.
Afirma-se que ser enquanto tal (ontológico) tem duas expressões: a afirmativa e a negativa, originando unidade. Ser em conexão: negativa gera divisão; positiva, verdade e bondade. Da essência no ente (ôntico) procede a substância (por si) e o acidente (por outro).
Os transcendentais possuem extensão igual ao ser e sobre outra formalidade, explicitam o ser enquanto tal, daí a convertibilidade. Unidade, bondade e verdade são o plano derivado e próprio dos transcendentais.
Unidade é a indivisibilidade, negação da negação no sentido metafísico e multiplicidadeparticular enquanto determinação. Ser como inteleção ou autoconsciência acaba em verdade. Ser como volição ou auto possessão gera a bondade. Mal é contradição ao ser do ente e não é metafísico, mas físico ou moral. A beleza é o ser como harmonia da unidade, da verdade e da bondade do ser. E tem três elementos: integridade, proporção e claridade.
Na compreensão da estrutura do ser considera-se 5 questões, tendo como pressuposto a lei da não contradição. Ser como identidade, ser como razão suficiente, o terceiro excluído e impossibilidade de progresso ou regresso ao infinito. Para o ente, são aplicados os mesmos princípios, diferenciando-se o ente que é racional em si, mas dependente. E tem-se na concepção do ser, ontologia, gnosiologia (apreensão do ser) e a linguagem (expressão).
Resumindo, na sistematicidade da metafísica, é possível perceber o processo de explicitação do ser como transcendentais e identificar seus cinco princípios estruturais.
FONTE
MOLINARO, Aniceto. Metafísica: curso sistemático. Trad.João Paixão Netto; Roque Frangiotti. São Paulo: Paulus,2002.
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