DESCARTES: O DISCURSO DO MÉTODO
DESCARTES, René. Discurso do método; Meditações. Tradução de Roberto Leal Ferreira. São Paulo: Martin Claret, 2012.
O discurso está divido em seis partes. Na primeira se encontram diversas considerações acerca da ciência. A razão é naturalmente igual a todos os homens. Só quem caminha lentamente pode avançar muito mais. Sua intenção é mostrar de que modo conduziu o seu método. Estudou e percebeu cada vez mais sua ignorância. Para ele é bom examinar todas as ciências para conhecer seu justo valor e e evitar ser enganado por elas. Tinha por falso tudo o que não passasse de verossímil. Saiu da submissão dos seus preceptores e, decidido a encontrar em si mesmo uma ciência, passou a juventude viajando. Queria apreender a distinguir o verdadeiro do falso.
Na segunda, as principais regras do método do autor. Foi para a Alemanha, deteve-se num lugar tranquilo e permaneceu o dia inteiro fechado sozinho num quarto para entreter-se com os seus pensamentos. É difícil, trabalhando apenas sobre obras de terceiros, fazer coisas perfeitas. Os povos civilizaram-se só depois de ter criado suas leis. As ciências dos livros não estão tão próximas da verdade quanto os simples raciocínios que um homem de bom senso pode fazer naturalmente acerca das coisas que se lhe apresentam. Apoiava-se em princípios sem jamais ter examinado se eram verdadeiros. Tentou reformar seus pensamentos e desfazer-se de todas as opiniões antes acreditadas. Para ele existem dois tipos de espírito: quem não consegue evitar juízos precipitados e quem deve contentar-se em seguir as opiniões de outros. Na sua época nada se podia imaginar de estranho e incrível que não tenha sido dito por algum filósofo. Descartes não quis rejeitar todas as opiniões antes de elaborar e buscar o verdadeiro método para chegar ao conhecimento de todas as coisas do que o espírito é capaz. Julgou suficiente quatro preceitos a ser observados: jamais aceitar algo como verdadeiro sem saber com evidência que seja tal, isto é, tão clara e distinta que não se possa mais duvidar. Dividir cada dificuldade para melhor resolvê-las. Começar pelo mais fáceis para subir para os mais compostos. Fazer revisões para nada omitir. Não pode haver uma verdade tão distante a que não se chegue. Para ele o mais fácil era a matemática. Com esse método estava seguro de usar em tudo a sua razão.
Na terceira, algumas regras de moral. Compôs para si mesmo uma moral provisória que consistia em três máximas: obedecer às leis e aos costumes do seu pais, observar o que as pessoas faziam do que o que diziam, escolher as mais moderadas. Ser o mais firme e mais decidido possível nas ações, decidir algumas e depois considera-las. Mudar antes os próprios desejos do que a ordem do mundo, o que mais está no poder do homem é o seu pensamento. Tentando escolher o melhor, continuar na mesma ação em que se achava, avançar no conhecimento da verdade usando o método que adotara. Começou a viajar (durante nove anos) tratando de ser mais espectador do que ator.
Na quarta, as razões pelas quais se prova a existência de Deus e da alma humana, que são fundamentos da sua metafísica. Rejeitou como falsas todas as razões que tomara antes como demonstrações. Mas imediatamente pensou que era preciso necessariamente que o eu que o pensava (que tudo é falso) fosse alguma coisa; e notando que esta verdade, penso, logo sou, era tão firme e tão segura, julgou que podia aceitá-la sem escrúpulos como o primeiro princípio da filosofia que buscava. As coisas que se concebem muito clara e distintamente são todas verdadeiras. Não se preocupou em saber de onde vem as coisas, pois não as considerava superior a ele. O mais perfeito depende do menos perfeito e a dependência é manifestamente um defeito. Os antigos diziam: "Nada há no intelecto que antes nã otenha estado no sentido", porém, para Descartes, os sentidos jamais poderiam garantir alguma coisa sem a intervenção do entendimento. Todo o perfeito que está no homem vem de Deus e como a razão dita que todas a as nossas ideias devem ter algum fundamento de verdade, então não podem ser todos verdadeiros os pensamentos porque o homem não é perfeito.
Na quinta, a ordem das questões físicas e a diferença entre a alma dos homens e dos animais. Considera as leis que Deus estabeleceu na natureza e em elas descobriu várias verdades. A alma é a parte distinta do corpo cuja natureza consiste apenas em pensar. O uso de palavras ou outros símbolos para declarar os pensamentos e agir por conhecimento distinguem as pessoas dos animais. A alma do homem tem uma natureza completamente independente do corpo e não está sujeita a morrer, então, é imortal.
Na sexta, o necessário para ir além do que ele na investigação da natureza. Odiava o ofício de escrever livros, mas, como lhe fizeram ver que é possível chegar a descobrir uma fiosofia prática, julgou apropriado comunicar fielmente ao público todo o pouco que tivesse descoberto e convidar os bons espíritos a ir além, para que estes últimos comecem onde os anteriores teriam acabado. Observou o seguinte: tratou de encontras os princípios de tudo o que e ou pode ser. Examinou quais eram as mais fáceis que se podiam deduzir das causas. Sair ao encontro das causas pelos efeitos. TUDO o que observou podia ser explicado pelos princípios que encontrara. Embora seja verdade que cada homem é obrigado a proporcionar aos outros o máximo bem que esteja em seu poder, as nossas preocupações não devem ir além do tempo presente. Para Descartes, o pouco que aprendeu até esse momento era quase nada em comparação com o que ignorava. Considera que os que filosofam como Aristóteles o fazem de maneira cômoda e medíocre. Só quem começou uma obra pode conclui-la bem. Não quis divulgar suas obras para evitar adquirir certa reputação e evitar pessoas que atrapalhassem suas pesquisas, mas depois escolheu algumas matérias sem controvérsias e que poderiam mostrar claramente o que pode ou não pode nas ciências. Para confessar seus erros com toda franqueza nas suas obras e para ser avaliado pelas suas opiniões, escreveu em francês.

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