O EXISTENCIALISMO É UM HUMANISMO- SARTRE
SARTE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. Tradução de João Batista Kreuch. Petrópolis: Vozes, 2014.
Em O existencialismo é um humanismo, Sartre defende seu existencialismo de várias acusações. Para tal apologia, define logo de início o existencialismo: "doutrina que torna a vida humana possível e que, por outro lado, declara que toda verdade e ação implicam um meio e uma subjetividade humana". (p. 16). Afirma ser a filosofia menos escandalosa, mas é confundida porque existem dois tipos de existencialismo: cristão e ateu. Ambos têm em comum a consideração de que "a existência precede a essência".
O homem existe, encontra-se no mundo, e depois define-se. Inicialmente é nada, será aquilo que se tornar; "nada é além daquilo que ele se faz". O homem é um projeto que se vive enquanto sujeito, é responsável pelo que é. Por consequência das escolhas, cria-se uma imagem do homem conforme se julga como deve ser. Nunca se escolhe o mal. A responsabilidade envolve a humanidade inteira.
O existencialismo não é nem pessimismo nem quietismo, mas otimismo. O homem apreende-se a si mesmo diante do outro. Não tem como não assumir a total responsabilidade diante dessa situação. Não se pode decidir a priori o que deve ser feito.
Deve encarar-se as coisas como são. A vida não tem sentido a priori. O valor da vida não é senão o sentido que se escolhe. O homem está constantemente fora de si mesmo, projetando-se. O homem deve tomar consciência de que nada poderá salvá-lo de si mesmo; mesmo que Deus exista, nada mudaria nada.
Por outro lado, isto permite compreender o significado de angústia, desamparo e desespero:
Angústia porque descobre que é juiz de toda a humanidade e que não pode não escolher; mesmo mascarada, a angústia se manifesta, pois faz parte da ação em si.
Desamparo provém de que Deus não existe e do dever assumir as consequências disso: não encontra uma possibilidade de agarrar-se de algo. O homem é liberdade, está condenado a ser livre, é responsável por tudo o que faz. "Nenhuma regra de um moral genérica pode indicar o que devemos fazer".
O desespero designa que só se conta com aquilo que depende da vontade ou com o conjunto das probabilidades que tornam a ação possível. Deve fazer-se o que se pode.

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