O HORIZONTE DA PLURALIDADE
O HORIZONTE DA PLURALIDADE
Na tentativa de caracterizar a visão unívoca contemporânea, o homem depara-se com a pluralidade das correntes filosóficas, sendo diferentes também os lugares do assombro: existência, ser-pessoa, alteridade e ser-negado.
A visão existencialista afirma a imposição do existir como necessidade vital. Ao sair fora atualiza o seu poder ser. Existindo, toma decisões a fim de projetar-se; a existência não é a priori porque se dá num exercício contínuo de relação. Então, duas descrições necessitam ser colocadas em destaque. O ser-para-a-morte: a essência da morte se determina a partir da essência ontológica da vida; a morte é a impossibilidade da impossibilidade absoluta de presença; a morte como realidade insuperável. Ser-no-mundo é ser em relação com o fim. A morte é o sentido da existência; a angústia é o ser-para-a-morte, porque o Dasein se questiona em frente ao nada da possível impossibilidade da sua existência. O homem é projeto, compreende-se em seu ser, sendo. Possui uma condição óntico-ontológica e a metafísica torna-se analítica existencial do Dasein (ontologia fundamental); o ser como objetividade, a simples presença. A experiência da náusea: o essencial é a contingência; existir é estar presente, não necessidade. A náusea é o sentimento dada pela descoberta da absurdidade do real e a contingência na qual está imerso. A ontologia sartreana é descrita a partir da distinção entre o "ser-em-si: opaco, dobrado sobre si mesmo; o ser-por-si: a nada, liberdade total". A liberdade incondicionda é o próprio ser do homem.
A metafísica associada à fenomenologia só pode ser descritiva, analise da existência humana. Pauta-se numa interpretação da realidade muito subjetiva, cujo emfoque em Heidegger, tem os traços da impessoalidade e do solipsismo, e, em Sartre, os da tragicidade e do absurdo.
A releitura personalista: o ser-pessoa. Ser é um verbo que se conjuga e sua conjugação revela o ser-pessoa como eu, tu nós. Tu és é a forma originária do conhecimento do ser; alguém apresenta um sentido em si mesmo. O eu sou se descobre a partir do tu és e revela-se como algo necessário, não desagregado, eu ontológico; o dever ser impulsiona o seu agir. Nós somos, tu e eu, realiza-se como comunicação, reconhecimento mútuo; o consenso que determina o é, o nosso. A finitude dos seres e a diferença ontológica: o teu é a sede do devir, existência de dúplice tu: aquilo que reconheço de ti e aquilo que tu és. Os limites absolutos: nós somos está fadado ao fim. A morte não é só um fato acidental, ajuda ao reconhecimento da própria limitação, a morte não como fatalidade, criando-se uma rebelião. Evidencia-se o mistério da iniquidade, do mal moral que parece ser anterior às culpas particulares.
O sentido da alteridade: E. Levinas tentou romper com a ontologia (redução do outro ao mesmo). A tradição filosófica ocidental tentava a compreensão do ser, em contraposição a proposta levinasiana intenta prestigiar o espaço ético, desenvolve a noção de exterioridade para indicar a separação absoluta, na qual se projeta o totalmente Outro. A alteridade é extremamente transcendente, absolutamente separado. O outro não é objeto de tematização, irredutibilidade, põe em questão minha espontaneidade. A ética cumpre a essência crítica do saber, precedendo o dogmatismo. Se a tematização do ser conduz à anonímia, à solidão, o caminho para romper com esse círculo é a ética fundado no relacionamento metafísico. Um discurso ante o outro, para o outro, em função do outro; torna-se a descoberta da sua exterioridade. Metafísica como meta-teologia, meta-ontologia, meta-fenomenologia. No entanto, a alteridade torna-se o pressuposto fundante do discurso ético, tendo a percepção de uma fenomenalidade que se projeta no horizonte cogniscitivo de o Mesmo.
O ser negado: a filosofia da libertação formula uma proposta de uma metafísica, situada no contexto de América latina. Juan Batista Alberdi questionou a existência ou ausência de uma filosofia na América Latina. A tarefa revolucionária, preocupando-se pelo contexto socio-político-económico dos países periféricos. Porém, a sua objetividade tende para o relativismo regido por um caráter histórico. Imagem historicista de Arturo A. Roing; o ponto de partida para o filosofar é o ente: compromisso histórico concreto, função ideológica do saber e discurso autocrítico. Imagem eticista de E. Dussel: a ética é a mediação de transformação social e instrumento de práxis libertadora. O ser é; a ontologia representa a filosofia do centro, não da periferia; ontologia como ideologia; o pragmatismo ordena o sistema social como conjunto de funcionalidades, instaura um regime de guerras. A metafísica é o modo de saber pensar o sistema em referência à negatividade ontológica. É do nada que aparecem novos sistemas. A lógica do totalitarismo (alienação) e a lógica da exterioridade (liberdade), moralização do âmbito ontológico. O metafísico corresponde a evocações sugestivas com efeito moralizante.
O homem tem a pretensão universal, no tempo e no espaço, a ultrapassar pelo conhecimento o domínio do invisível. Ir além das aparências, buscando sentido para a existência. A metafísica não morreu, é uma exigência fundamental da razão humana, é plenamente ilimitado.
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