Panorama da Filosofia Pré-socrática
Introdução
Nas seguintes paginas apresenta-se uma síntese das primeiras aulas, a partir de uns vídeos relacionados aos temas. Trata-se de dar respostas às perguntas como:
De que modo foi a passagem do Mito para a Filosofia? Quais foram as causas pelas que surgiu a filosofia na Grécia, sendo que existe tantos outros lugares onde pôde ter nascido? Qual é a identidade e quais são as características dos pré-socráticos? Todos eles viveram antes de Sócrates?
1 – A passagem do Mito para a Filosofia
O pensamento filosófico surgiu aos poucos em substituição dos mitos e das crenças religiosos, na tentativa de conhecer e compreender o mundo e os seres que nele habitam.
1.1. Mito (palavra ou historia) é uma narrativa de caráter simbólico- imagético, relacionada a uma dada cultura, que procura explicar e demostrar, por meio da ação e do modo de ser das personagens, a origem das coisas.
Homero e Hesíodo são considerados educadores da época. Portadores de uma verdade fundamental sobre a origem do universo e das suas leis.
Os poemas homéricos buscavam alimento espiritual, estreio modelos de vida, matérias de reflexão, estímulos de fantasia, e portanto, todos os elementos essenciais da educação e formação espiritual. Tudo é divino, no sentido que tudo o que acontece é obra dos deuses.
Ao analisar alguns mitos importantes como; o relato criacional de Gaia e Urano, observa-se que pôde ter alguma influencia aí nas ideias dos primeiros filósofos.
Assim nasce uma pergunta: Será que a agua, como principio universal considerado por Tales de Mileto, também não tem um embasamento mitológico? Alguns pensadores pensam que tem influencia do mito primordial. Pois, na teogonia de Hesíodo, fala-se de Oceano, filho de Urano, como um dos deuses principais.
Como a ligação com a filosofia não é tão evidente assim precisa-se trabalhar bastante para chegar a esse pensamento.
Então eis aqui um resumo do mito primordial. No começo dos tempos o Urano (céu) e a Gaia (terra) estavam muito unidos, Urano comia os seus filhos para não perder o poder, então Gaia escondeu um dos seus filhos dentro de seu ventre e deu uma pedra a urano para que comesse. Depois de um tempo esse filho foi crescendo ate que um dia ele acaba amputando as partes intimas de Urano, então o pai gritando de dor vai para cima e a mãe relaxada vai para baixo. Assim entre o céu e a terra começou o reinado desse menino que ficou conhecido como Cronos, tempo. Assim, todos os seres que estão entre o céu e a terra sofrem a ação do tempo.
1.2. Filosofia é um conjunto de conhecimentos baseados numa estrutura racional de ideias. Tem um encadeamento lógico racional. Ademais, a filosofia tem um caráter critico que não pode ser quebrada. Busca conclusões gerais.
1.3 Ruptura ou ligação
Não deve-se esquecer que "Entre os tipos de conhecimento não ha um tipo de hierarquia", como afirma Sergio Paulo Rouanet, filosofo brasileiro.
É importante não cair num pré-conceito em relação à mitologia, posto que, normalmente, é considerada só questão de fé ou como um conjunto de historias sem importância. Há diferentes visões para explicar o nascimento da filosofia. A mitologia é importante porque admite-se uma ligação com a filosofia, embora essa ligação fosse negada por alguns filósofos.
Para Hegel existe uma ruptura entre a filosofia e mito. A mitologia não é importante para o desenvolvimento da ciência, já que nela não tem presente tanta razão, nem tira-se dela vantagem alguma. Para ele, a filosofia surge da negação da mitologia, aliás, quando os gregos despertaram de um sonho mitológico, nasceu a filosofia.
Para Jean Pierre Vernant: Na Grécia, o logos teria se desprendido bruscamente do mito como as escamas caem dos olhos dum cego
A visão contemporânea busca achar uma ligação entre ambos. Francis Macdonald Cornford diz que "se não existisse algo de razão nos mitos a filosofia provavelmente não teria existido". Ele vê que os gregos tiraram os aspectos mitológicos e ficaram com a razão existente nele.
Porém, ela tornou-se fundamental, a mitologia, para dar origem a filosofia. E a filosofia como mãe das ciências vai trazer embutido, em algumas das suas partes, o conhecimento mitológico.
2 – Causas do surgimento da Filosofia na Grécia
O fato de que a filosofia nasceu na grega não significa que não existiam pensadores em outros povos, como persas, mesopotâmias, Egito, mas, principalmente, os gregos tiveram um pensamento influenciado pela mitologia e que foi além dela.
José Marinho, filósofo português diz que "O homem que não é filosofo é tudo, menos um homem". Já que a razão, o exercício dele, nos distingue dos animais.
2.1. Causas políticas
A substituição do Despotismo pela Democracia preconizou o uso da palavra. A isonomia dos cidadãos gerou um ambiente de discussão de ideias fazendo uso da oratória. Isto dava-se na Agora (praça publica), lugar onde todos os cidadãos eram iguais e tinham direito a palavra.
Por exemplo, dado que na teocracia do Egito a ordem do farão era sagrada, ela não era colocada em discussão. Então, na Grécia, o ambiente de debate de ideias era muito mais propicio para o surgimento da filosofia. Nela tratava-se diversos temas das Polis.
2.2. Causas sociais
Na Grécia antiga surge o pensamento de que os trabalhos manuais denigram as pessoas e portanto, é para os escravos. Essa concepção continuara em Roma e na idade media, muda na idade moderna.
Bem vão dize-o grandes pensadores como Xenofonte "O trabalho tira todo o tempo, e com ele não ha nenhum tempo livre para a Republica e para os amigos". E Cicero, no livro, Dos deveres, diz que "O homem que da o seu trabalho por dinheiro vende-se a si mesmo e põe-se ao nível dos escravos".
Deste modo, o trabalho dos escravos deixava livre aos cidadãos gregos dos trabalhos manuais e assim, eles tinham um tempo de ócio criativo, tempo utilizado para pensar e para o esporte. Comparando, um egípcio depois de um dia inteiro de trabalho não tinha tempo nem forcam para ir depois à agora para discutir.
2.3 Causas econômicas
A partir de determinadas condições, como as navegações feitas com fins de comercio, o uso do calendário e da moeda, gerou-se um grande intercâmbio cultural.
Essa relação com outros povos dou uma visão panorámica da cultura e dos conhecimentos de outros povos.
3 – Os pré-socráticos
Considera-se aos pré-socráticos como filósofos de um primeiro período de pensamento grego. O termo pré-socráticos pode ser considerado só com um padrão filosófico, já que nada tem de cronológico o qualitativo. Sócrates, em verdade, teve como contemporâneos vários filósofos qualificados como pré-socráticos.
A filosofia ao nascer teve definida a sua busca, a explicação racional da origem e da ordem do mundo, o Cosmos. Por tal motivo, os primórdios da filosofia grega são considerados de caráter cosmológicos, isto é, um caráter racional sistemático explicado do universo, diferente da antiga concepção da cosmogonia que, é uma explicação da origem do universo baseado nos mitos.
Uma REGRA que não poderia ser quebrada é que o principio fundamental descoberto por cada um dos filósofos permitiria as mudanças aparentes, mas não na essência.
Existem, ademais, três palavras gregas que são muito importantes porque sem elas não pode-se entender o pensamento que vai ser desarrolhado na filosofia. Estes são; LOGOS, pensamento encadeado ou argumento racional de ideais. Também, PHISIS, natureza dos seres. E, ARKHE, principio universal.
Os historiadores costumam distinguir, no período pré-socrático, quatro grandes tendências ou escolas, em geral, coexistentes.
3.1. A escola Jônica
Iniciadora da reflexão filosófica na Grécia, escola filosófica centrada na cidade de Mileto, na Jonia nos séculos 6 e 5 a. C. Esta corrente filosófica considera ao homem como uma parte da natureza, não como centro de um problema específico. Os jonios foram em procura de um substrato imutável, imanente as coisas imutáveis, capaz de dar o fundamento do ultimo que existe, se da conta da espantosa diversidade dos fenômenos.
O modo de explicar a realidade natural a partir dela mesma sem uma referencia sobrenatural ou algo misterioso.
3.1.1. Tales
É o primeiro em desenvolver o arché. esse principio seria a água, ao final a terra é repousa sobre ela, e todo que morre se seca. Vivou muito tempo no Egito e ai percebe que a agua fonte da vida. Está ligada aos processos da vida no nosso mundo. Nascimento, morte (seca o corpo), plantar arvore. Deus oceanos, matemático.
3.1.2 Anaximandro
Não coloca como elemento primordial algo físico. O Ápeiron é ilimitado, indefinido, indeterminado. Ele tem uma ideia mais abstrata.
Nada se creia, todo se transforma.
3.1.3 Anaxímenes: Ar.
3.2. A escola Pitagórica ou Itálica
Originado na Magna Grécia, Crotona, sur da Italia, é a mais influenciada pelas religiões orientais e por isso, mais se aproximou as filosofias dogmáticas, regida pela ideia de autoridade. O principal representante é Pitágoras.O pitagorismo influenciara, depois, no Platão.
Números, são entidades reais com natureza própria. Todo em nosso mundo tem medidas, tem números. É possível quantificar e traduzir todo a números.
Os números estiveram muito antes do que homem, o homem inventou a matemática e as representações, mas os números não foram inventados pelos homens.
Aparecem em tudo o nosso universo. O universo é um poema e a matemática é a linguagem.
3.3. A escola dos ATOMISTAS ou dos PLURALISTAS,
Na Trasia, os seus principais representantes são Demócrito e Leocipo.
3.3.1. Demócrito
Intui a ideia do átomo que ele nunca viu. O vazio existe, e o preenchimento desse vazio possui o chamados átomos. Átomos são partículas do ser primordial, são diferentes na suas ligações. Os átomos podem-se combinar, muda a aparência, mas não a essência. Átomo- Ideia: invisível, inteligível: só sabe-se que a sua natureza é indivisível.
3.4. HERACLITO
Todo mudo, mudança, principio que rege o mundo, o fluxo continuo, a chama de uma vela. Ninguém entra duas vezes no mesmo rio. Os opostos podem brigar, mas só um entendido a partir disso.
Quando os opostos estão lidando as mudanças acontecem. Quando se soma os opostos pode-se ter a unidade, tudo esta em equilíbrio.
3.5. A escola Eleáta
Foi originado na Magna Grécia, os seus principais representantes são Xenófanes, Parmênides e Xênon.
3.5.1 Parmênides
SER é, nada muda, não pode não ser. As coisas nunca não são. As mudanças são uma ilusão, porque o principio não pode mudar. O NOMOS, aspectos humanos.
Opinião ou erro pode estar certa o errada, então não é segura. Verdade, é fruto da pesquisa, não erra, chega a verdade. Estas ideias são também bases para a ideia platônica
Conclusão
A partir de todo o apresentado poderia considerá-se que o modelo mítico foi questionado, quando instituiu-se a democracia e ao ter um grande intercambio cultural, e substituído por um pensamento que exigia os critérios para a confecção de argumentos, e assim, surgiu a filosofia como busca de conhecimento racional, sistemático e universal.
Os primeiros filósofos se ocuparam, principalmente, das indagações ao respeito do mundo e ao seu redor que, também envolveu uma percepção do lugar do homem nele, embora ele não seja o centro. Essa busca trouxe a luz umas divergências, mas os pré-socráticos não quebraram a regra de que, na busca do Arque, não pode mudar a essência e sim, as aparências.
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