Por que há simplesmente o ente e não antes o nada?- Heidegger
HEIDEGGER, Martin. Introdução à metafísica.
Por que há simplesmente o ente e não antes o nada? Essa é a primeira pergunta, por ser a mais vasta, a mais profunda e a mais originária das questões. Sem levantar essa questão a vida continua, mas se for posta, dar-se-á uma repercussão: um momento especial, acontecimento. Perguntar por que o por que? É uma provocação. A questão se funda num salto, nele se deve transformar. Isto é, o salto dá origem ao próprio fundamento da investigação. Entretanto, aquele, para quem a Bíblia é revelação divina, já possui a resposta da questão: todo ente, que não for Deus, é por Ele criado. Quem acredita, não tem como investigar a questão sem negar-se a si mesmo.
A filosofia é uma loucura. Toda questão essencial da filosofia acha-se necessariamente fora de seu tempo, porque se projeto para além e remonta a seu presente-passado; o tempo se submete à filosofia. Por que há... é uma questão metafísica fundamental e metafísica é o núcleo de toda a filosofia. Mas a metafísica permanece sempre sem oscilações Física. O Ser, COMO TAL, fica oculto, esquecido. Por outro lado, falar do Nada constituirá sempre para ciência um tormento e uma insensatez. Jamais se poderá falar do Nada sem intermediários. Porém, mostra-se a possibilidade de fazê-lo.
"Esse" é, é dado, está sempre em condições de ser encontrado e é, até certo ponto, conhecido. O ente em sua totalidade é algo objetivamente dado. Nunca se pode pertencer inteiramente a coisa alguma. A existência é ela mesma a partir de sua referência essencial com o Ser simplesmente; existência pertence à compreensão do Ser.
O ente não pode ser despojado do caráter questionável, que o torna digno de ser investigado, em razão do qual poderia também não ser o que é e tal como é. O ente é aquilo que em cada caso é; o que faz que algo seja um ente ou não ente. A distinção entre o ente e seu Ser se faz no simples pensamento. O Ser que se investiga é quase como o Nada. Continua impossível de localizar. Investigar o que há com o Ser é repetir o princípio de nossa existência espiritual- histórica. Deve investigar-se por que o ser continua sendo um vapor verbal e por que persiste tanto. O Ser é o conceito mais universal, mais extenso e mais vazio. Investigar o sentido do Ser é enquadrar a existência histórica do homem. A filosofia é história só enquanto se realiza no tempo. História é o agir e sofrer pelo presente, determinado pelo futuro e que assume o pretérito vigente. O presente é o que, no acontecer, desaparece.

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